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A prefeitura de minha cidade estava com um projeto de controle de pragas urbanas que seguia da seguinte forma. Alguns animais, devido alguns fatores, como a mudança climática e também o desleixo de algumas pessoas, estavam crescendo sua população afetando a biodiversidade e seu local de habitat.

Em específico no Rio de Janeiro, no Campo de Santana, a preocupação é bem maior. A população de gatos, pombos e pardais estava afetando grandemente a sobrevivência de outros que de certa forma têm a mesma importância para o balanceamento da natureza, neste caso, estes animais e até mesmo algumas plantas foram inclusas neste aspecto, no caso, consideradas pragas urbanas.

No caso dos pombos, trazidos para o Brasil pela colônia portuguesa para servir de alvo no treinamento de sua guarda, estaria prejudicando os centros urbanos com seus ninhos, dejetos e sua procriação rápida. E os gatos por sua vez, deixados no parque abandonados e sendo alimentados pelos transeuntes, estariam também aumentando sua prole, massacrando o número de pequenos roedores que ajudam no controle da proliferação de insetos.

Esses dias fazendo uma analise pelo caminho que faço hoje onde moro, tenho pensado em algumas coisas e tenho ficado muito preocupado.

Minha preocupação e questionamento é sobre o que se diz ser “igreja evangélica” hoje; e ainda no que se diz ser o “evangelho do reino”. E procuro assim entender o porquê desse crescimento exacerbado de algo ainda muito imaturo, confuso e mágico demais. Vou até mesmo, antes, usar as mesmas palavras de um amigo, “quero ter zelo pra falar da Igreja de Cristo, porém não quero ter pudor nenhum pra falar da Igreja dos homens”.

Um exemplo e motivo de minha inquietação.

Aqui onde estou morando, no leste fluminense do Rio de Janeiro, abre-se igreja a cada dois bares; eu não sei de onde sai tanto pastor, do mais novo ao mais velho. Em alguns dias da semana é um verdadeiro fuzuê, cada uma delas tenta fazer mais barulho que a outra, e cada uma com meia dúzia de pessoas dentro. Do ponto de ônibus até minha casa, eu devo cruzar de seis a dez espaços desses.

Em um deles, onde o carinha da porta nunca se esquece de me dar boa noite, só fica o pastor, e uma mulher sentada lá no canto (que deve ser a esposa dele) se esgoelando na corneta lá da ponta do telhado, disputando com o pastor da igreja da frente que arrisca uns guturais de fazer arrepiar qualquer vocalista de banda de death metal.

Na cidade, a disputa está mais forte, os mega-templos estão tomando conta de tudo, em cada quarteirão tem um, cada um maior que o outro, os motorista de transporte alternativo sabem identificar onde os passageiros irão descer da seguinte forma: na casa da moeda, no banco central ou na caixa econômica, referindo-se assim ao lugar onde ficam as grandes igrejas.

Assim como a prefeitura da cidade preocupou-se com o controle das espécies de alguns animais que estavam prejudicando a sobrevivência de outros, considerando-as pragas urbanas, assim precisamos nos preocupar com o que chamam hoje de “Boas Novas do Reino”, e o que se diz, “estar Deus abençoando o crescimento da igreja”.

Entendo que o Senhor quer sim mudar nossa história, deixar nos quatro cantos da terra rastros de seu amor e graça. Entendo que o Evangelho do Reino é o “estabelecimento de um novo domínio” e que a queda desse velho sistema, é extremamente necessária; claro que precisamos realmente saber viver como gente e com gente, essa é a vontade do Pai, mas, essa grande onda de zumbis espirituais arrastando um jugo religioso que nem mesmo eles suportam, e vez por outra vivendo como a verdadeira liga da justiça com seus super homens e mulher maravilha julgando e condenando todos a sua volta deixando-os ao léu, me causa arrepios.

Temos aqui, na cidade de São Gonçalo, (o segundo maior colégio eleitoral do estado do Rio de Janeiro) temos “evangélicos” por toda a parte, porem ainda sofremos com o descaso, com a prostituição e com a corrupção na qual grande parte dos políticos eleitos também se dizem cristãos protestantes.

Até quando conviveremos nesse aspecto; sem um questionamento sério?

Sem se quer entender que o que o Senhor realmente quer é um povo cujo expresse nos seus atos, seu amor e sua graça, transformando nossas vidas num todo, lutando pela justiça humana - implementada no curto prazo e não apenas no longo prazo; neste mundo e não no próximo; dentro do tempo e do espaço, não na infinitude e na eternidade.

Gilson Fox
http://xcontrapondox.blogspot.com/

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