
Como me impressiono ao me olhar no passado, respirando e proclamando em camisetas, adesivos e jargões na internet como eu era muito mais santo participando desse movimento super moderno chamado Gospel.
Livrarias Cristãs cansaram de receber meus pedidos para reservar CDs, DVDs, livros, camisetas que traziam o mais novo lançamento no meio. Fazia questão de tentar causar uma inveja santa naqueles que ainda não tinham ouvido o que havia de novo na música Gospel, o DVD do Pastor Fulano-de-Tal que só eu tinha visto porque tinha baixado da Internet, e por aí vai. Estava em todos os shows que tinham em minha cidade e cheguei ao ponto de querer colecionar fotos com os ícones do mundo Gospel para mostrar aos amigos, me enchendo assim de uma soberba vazia e inútil. Pobre do eu encegueirado espiritualmente.
Era realmente como um tapado seguindo tendências que não levavam a lugar nenhum, mas, na minha ignorância, me ajudavam a ser um cristão menos careta, um cristão moderninho que não escutava rock nacional porque é do diabo, mas escutava Rock Gospel. Não ia a shows “mundanos” porque o ambiente não era para uma pessoa como eu, mas me espremia em Show Gospel esperando, depois de socos e pontapés, conseguir chegar à frente do palco para mendigar uma foto de perto com o Ministro de Louvor que julgava referencial de adoração do momento. Parece surreal, mas conheço gente que faz coisa muito “pior” do que essas.
Mas Deus, misericordioso, me fez chegar ao vale das indagações da real motivação da vida Cristã, ajudando-me a parar e refletir sobre o que de bom grado havia naquilo tudo. Vi que tinha deixado para trás toda a minha essência de simplicidade do real evangelho. Em relação as músicas, lembro-me bem quando todas eles falavam sobre chuva, depois sobre vento, depois sobre milagres, depois sobre intimidade, era só um começar que todos seguiam pela mesma linha. Um mercado em constante crescimento que tenta nos ludibriar.
O que me impressiona é o entorpecimento de fracas mentes cristãs que esperam migalhas caírem em seus pratos para se alimentarem dando uma pseudo-sensação de enchimento e gozo espiritual. Não são capazes de se aprofundar no relacionamento com o Senhor que tem muito mais a oferecer do que meras palavras vãs. Criando cada vez mais pessoas que não buscam a intimidade com o Senhor, esperando sempre que a direção seja dada por “Guias Espirituais” que sempre irão ter mais relacionamento com Deus do que eu posso ter.
Abramos nossas mentes e vejamos que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é o nosso Deus também. Ele nos fez à sua imagem e semelhança, mas não somente no que diz respeito à aparência física, mas na capacidade de pensar e discernir. Sejamos criteriosos no que estamos ouvindo e aceitando como verdade. Analisando tudo à luz da Palavra que é viva e eficaz.
Tiago Paladino











