
Cristo encarnado?
Já parou para refletir sobre os conceitos mais triviais que utilizamos para definir nossa fé no Cristo de Deus encarnado? Me sinto muitas vezes enojado com a espiritualidade vazia professada por boa parte dos envenenados pelo senso comum "gospel". Já não enxergamos todas as facetas do Cristo encarnado. Desprezamos sua humanidade e, por isto, nos distanciamos totalmente desta forma intencionalmente assumida por Ele.
A palavra de Deus afirma em 1 João 4:2-6:
"Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro."
Quantas vezes a religiosidade do autodenominado "povo de Deus" é conflitante com as verdadades bíblicas apresentadas neste texto. O espírito do erro sutilmente transforma aqueles que deveriam estar vencendo os falsos profetas em seus discípulos mais fervorosos. Então sua consciência torna-se absolutamente cauterizada, a ponto de não mais possuir liberdade para imaginar com profundidade detalhes que vão além da aparência. Apenas enxergando além do óbvio, experimentaremos do poder transformador do evangelho.
Polemizando um pouco a questão, gostaria de comentar duas situações no mínimo interessantes sobre a vida de Jesus, que definitivamente demonstra o quanto somos hipócritas. A primeira é sobre os 40 dias em que ele passou orando e jejuando no deserto. Facilmente imaginamos um homem no sol quando pensamos em deserto. Mas dificilmente imaginamos como seja ficar 40 dias sem tomar banho. Sou apenas eu ou você também considera algo complicado ficar tanto tempo sem tomar uma ducha? Meu recorde foi 4 dias sem banho. Sei de meus limites.
A segunda situação é puramente desenhada em minha mente. Pode ter acontecido, ou não. Você consegue imaginar Jesus de cócoras em uma moita, segurando suas roupas levemente suspensas, enquanto defecava prazerosamente? Ou será que apenas eu me sinto "quase" satisfeito a cada vez que posso me aliviar do peso extra? Consegue imaginar seus discípulos convivendo com este Cristo? Consegue imaginar Jesus gritando "Pedro… vê se tem uma folha mais macia, por que estas aqui tão brabas". Se nossa capacidade de conceber a humanidade do Cristo encarnado está limitada aos padrões estabelecidos por esta religiosidade hipócrita que tira o principal atributo de Jesus que o fez um acessível salvador do mundo (sua humanidade), então somos cúmplices deste espírito do erro. E se somos cúmplices do erro, logo não temos vencido os falsos profetas. E se não os temos vencido, somos seus seguidores.
Fica fácil entender por que naquele dia haverão muitos que dirão "Senhor! Senhor!" e receberão um sonoro "não vos conheço" por parte de Jesus.
Precisamos discernir quem é este Cristo maravilhoso, Deus encarnado, nascido homem como eu e você. Morto e ressurreto. Precisamos compreender quem somos nEle e qual nossa responsabilidade uns com os outros. É imprescindível entender quem é a noiva de Jesus e qual nosso papel em sua Igreja. Precisamos cantar músicas que venham do coração e que sejam condizentes com uma revelação consistente da vontade explícita na palavra de Deus. Precisamos ocupar nosso coração com a palavra da Verdade, para não mais nos deixarmos levar pelos ventos de doutrina que tanto têm soprado nestes dias.
Precisamos nos despir do que significa "gospel", para então sermos livres o suficiente para experimentarmos de uma espiritualidade vibrante, inspiradora e fundamentada na palavra de Deus.
Ariovaldo Jr
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