
Eu, na minha humildade e ignorância bíblica, não consigo extrair das Escrituras nenhuma linha que, ao menos insinue, que Jesus tenha sido, ou pretendido ser, gospel.
Dizem que “é prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas, de modo mais simples”. Se assim for, Jesus era um homem de cultura incomensurável e simplicidade desconcertante.
Com todo o respeito que todas as igrejas e facções (se assim posso dizer) merecem, Jesus não se rotulou e, portanto, não deve e nem merece ser rotulado. Ele nunca foi gospel, nem batista, nem presbiteriano, nem católico, nem pentecostal, nem cousa alguma que o queiram chamar. Ele não é de ninguém e é de todos. Ele veio para todos, principalmente os humilhados e perdidos.
Penso que o Filho de Deus, a extensão de Deus, parte de Deus, que é Deus, que é o Todo; não pode ter um rótulo, porque rotulá-lo seria tentar diminuí-lo, tentar apequená-lo, querer fazê-lo representante de um segmento. Por mais que se pretenda, não é possível diminuir o Todo, Aquele que tudo pode.
Era um homem simples, não afeito nem à pompa, nem à propaganda, nem ao marketing. Simplesmente pregava o Evangelho, fazia o bem (pedindo que não dissessem que o fez) e não cansava de buscar relacionamentos para ajudar as pessoas.
Muitas vezes me pego meditando sobre o que é realmente buscar ser seguidor de Jesus. Pensei em uma situação prática que, talvez, traga alguma luz para esta cruciante questão, muitas vezes tão difícil e confusa:
Pergunta: Quem melhor está refletindo o caráter, o exemplo e os ensinamentos do Grande Mestre?
Opção 1: Aquele que:
1. Lê a bíblia todos os dias;
2. Não falta a nenhum culto da Igreja;
3. Dá fielmente o seu dízimo.
Opção 2: Ou aquele que, mesmo sem ira a Igreja:
1. Privilegia a família;
2. Ama os seus semelhantes e não cansa dos relacionamentos;
3. Ajuda a todos indistintamente, dedicando a isto o seu tempo e os seus bens.
Medite sobre isto e deixe seu coração responder.
A impressão que se me assalta, pelo pouco que lí e leio das Escrituras, é que Deus ama “de paixão” os seres humanos, sua criação. Se Deus é alguma coisa, esta coisa é AMOR.
Jesus é a expressão maior deste AMOR. Deus se fez homem, por amor ao homem, sofreu e morreu pelo homem, para dar o EXEMPLO, para mostrar o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. Esta é, na minha humilde opinião, a maior expressão de AMOR sobre a face da terra, em todos os tempos, passados e vindouros.
Penso, algumas vezes, que JESUS dá a impressão de ser uma METÁFORA MARAVILHOSA de DEUS.
Quem sou eu para fazer estas conjecturas. Deus há de me perdoar, mas talvez o Senhor possa ter pensado, em algum momento, olhando para os homens sobre a face da terra:
- Estes infelizes estão perdidos, não entenderam nada !
- Não adianta falar, melhor dar um exemplo. Já sei ! Vou Eu Mesmo, como Meu filho, para mostrar para eles como viver, como resistir às tentações, como buscar salvação !
Assim, entendo que a Igreja de Jesus é o seu exemplo, ou seja, como ele gostaria que os homens vivessem na terra; não com os olhos na terra, mas na vida eterna. Ele veio mostrar as coisas que realmente tem valor para a eternidade, coisas que o dinheiro não compra.
Jesus não queria saber de “show”. Era avesso ao “show”. Em várias passagens das Escrituras recomenda, depois de um milagre, para não dizerem quem ele era nem o que fez. “Que a tua mão esquerda não saiba o que a direita fez”.
Jesus, na sua humanidade, conhecia a natureza humana e sabia os terríveis malefícios e desvirtuamentos causados pelo “show”, pela ostentação, pela vaidade, pela vanglória, pelo gospel.
Mesmo sendo homem, deu-nos um exemplo candente de despreendimento, de humildade, de contenção. Abriu mão de sua, digamos, natureza divina, para sofrer e morrer como homem. JESUS SOFREU PORQUE ERA, E QUERIA SER, HUMANO.
Penso, ainda, que ele queria proclamar para nós: SE EU, COMO HUMANO, POSSO; VOCÊS PODEM !
Onde está o JESUS gospel ?











